domingo, 5 de julho de 2026

Regulação da emoção

                                   Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                        REGULAÇÃO DA EMOÇÃO

O que vamos fazer com o que estamos sentindo? Esta pergunta é um bom começo para quem quer regular suas emoções. Uma pergunta fácil de responder? Lógico que não, porque lida com uma ação extremamente complexa.

Desafiadora porque tem a ver com o pretérito da vida. Como regulavam nossas emoções quando éramos bebês? Além disso, tem o fato de que cada encontro com outrens, fomos influenciados pelo que as pessoas estavam sentindo e vice-versa.

Sendo assim, se fomos emocionalmente negligenciados em qualquer fase da vida, entendemos que tivemos e que dar conta das dificuldades emocionais por conta própria, que estamos à mercê de nossas demandas afetivas, o que pode não ter sido muito saudável, dificultando uma ação efetiva em busca da regulação.

Mas, independentemente das dificuldades ou não do passado, existe uma verdade que precisamos internalizar: regulação não é sinônimo de não sentir. Nem o controle rígido do que sentimos. E é importante atentarmos para o fato de que devemos assumir o que sentimos. É essa permissão que a regulação nos proporciona. Talvez seja o primeiro passo.

Os próximos passos consistem em buscar estratégias para alcançar a regulação emocional. Um desses passos é a respiração consciente, que ajuda a acalmar o corpo e a mente. Outro passo é a estratégia de antecipação, em que se percebemos que vamos adentrar em alguma discussão ou ambiente que nos trará algum estresse, já antecipamos meios para que alguma emoção indesejada seja, pelo menos, minimizada em seus efeitos.

A estratégia de desvio da atenção é bem interessante também. Moderar o impacto da emoção desviando sua atenção do que está nos incomodando pode ser bastante eficaz.

Talvez a mais relevante delas seja a estratégia de reenquadramento cognitivo. Por exemplo: estou vivenciando um momento estressante e busco vê-la por outro ângulo, mudando a percepção da mesma, no afã de dominá-la.

Evidentemente que existem muitos outros meios que podem nos ajudar a regular nossas emoções e, várias delas já relatamos em outras conversas psicanalíticas. Mas achamos por bem trazê-las novamente: estar com as pessoas que amamos, atividade física, sono satisfatório e uma alimentação balanceada.

Que sigamos pensando... 

Um grande abraço para você!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Expressão da emoção

                                 Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                        EXPRESSÃO DA EMOÇÃO

Expressar qualquer emoção tem um sentido duplo: é incrível, pois dar passagem ao que sentimos é importante para a própria elaboração da situação, mas preocupante porque ao falarmos, criamos uma conexão com o outro, que ora pode ser benéfica, quando há um entendimento sensível entre as partes, ou ora pode ser um tanto negativo, se o interlocutor se distanciar da situação.

E aí, o que fazemos então? Ignoramos o que sentimos com medo do que vão pensar de nós, pelo temor das possíveis reações ou por que temos receio de nos mostrar vulneráveis?

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos constatou que 70% dos educadores têm dificuldade em expressar o que sentem. Será diferente em terras tupiniquins? Será que esta dificuldade não se estende a todos os segmentos de trabalho? É só olharmos para nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor para constatarmos que esta estatística também pode muito bem se aplicar a nós.

E percebam que dado interessante, mas não bom: de acordo com pesquisas as mulheres expressam mais suas emoções, no que se referem as positivas. Quanto ao expressar as emoções negativas, por exemplo, tristeza e ansiedade, elas internalizam mais que os homens (BRACKETT, 2021). E o resultado é a onda de intolerância e vulnerabilidades mentais que nos percorrem.

E por que isso acontece? Socialmente existe uma injustiça. Homens que perdem o controle são vistos como tendo reações normais. A mulher que perde o controle está neurótica, desiquilibrada ou coisa do tipo.

Para além de todos esses dados, o que devemos atentar é para o fato de que precisamos expressar o que sentimos. Existem diversas maneiras de se fazer isso: podemos conversar com um amigo confidente, fazer terapia ou análise, ter um caderno – diário – e anotar o que nos aconteceu e o que sentimos com o que nos aconteceu... A questão é buscar um caminho possível e seguro.

Mark Brackett (2021,p.150) lista os benefícios que angariamos quando expressamos o que sentimos: “diminui a frequência a consultas médicas, melhora a função imunológica, reduz a pressão arterial, melhora o estado de ânimo a longo prazo, reduz o estresse, melhora o desempenho acadêmico e diminui as faltas no trabalho”.

Que sigamos pensando...  

Um grande abraço para você!

terça-feira, 2 de junho de 2026

A vergonha

                                     Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                                A VERGONHA

A bem da verdade, a vergonha é um dos sentimentos mais presentes em nossas vidas e que nos proporciona uma profundidade de reflexão ora nunca pensada.

Além de ser um limitador, pois quando sentimos vergonha, esta emoção se torna dolorosa, pois nos atinge de maneira global; pode ser um regulador social, por impedir que ajamos de maneiras não muito ortodoxas.

Acontece que, se formos pegos realizando alguma atividade ilícita, a vergonha se manifestará e não teremos como fugir dos resultados, mas também podemos prever o resultado final de algum contexto e nos preparar para uma possível vergonha que possa acontecer. Nesse caso, o enfrentar torna-se menos problemático.

A origem da palavra Vergonha está ligada a reverência, a respeitar, pois vem do latim verecundia. Tal conhecimento já nos dá o entendimento que este sentimento transfigura: é uma emoção que tem relação com dois ou mais sujeitos.

Mas se formos pensar mais argutamente, entenderemos que o que nos faz sentir vergonha é o temor da desconexão. Como a vergonha está relacionado a atos, ações que realizamos, tais fatos revelam quem nós somos, doando-nos o medo da possível avaliação que a pessoa ou as pessoas terão da gente.

Isso tudo acontece porque ao nos relacionarmos, nós criamos expectativas em relação às pessoas e vice-versa. A angústia de não se encontrar a altura dessas expectativas faz com que sintamos vergonha, por medo da frustração nos levar a perder uma conexão.

Mas mesmo diante de tudo isso, não podemos perder de vista que, a vergonha é uma das emoções mais capazes de nos levar a autoconsciência, por isso ela é muito sofisticada. Como já relatamos acima, ela nos faz pensar em nossos atos, desta forma, nos incita a pensar sobre eles, nos levando ou não a mudança de comportamento, porque para sentir vergonha, “é necessário que haja uma reflexão sobre si mesmo e sobre o outro simultaneamente” (BILENKY, 2016, p. 25).

Que sigamos pensando... 

Um grande abraço para você!

Regulação da emoção

                                    SA Ú DE TOTAL CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA                                       ...